Freaking out over…daily things

I can’t do anything. Everything seams so difficult and has so many obstacles and I spend my days doing almost nothing. It kills me softly as Roberta Flack would say.

Before I have the mental health problem I worked in the non profit sector for environment organisations and I loved it! I was passionate about it. Now I can’t have a proper job, I’m too tired, too dum and too emotionally unstable. No one can imagine how bad this is, it destroys me. My fire, my strength, my self-confidence, my optimism, all have come down to ZERO. I’m not sure what am I still doing here. What is my purpose? Is this a life?

I’ve come to the conclusion that there is no intention in the things that happens in our lives. There isn’t any purpose, any lesson or any superior reason for me/people having a mental condition. It’s all random. This means that I’m loosing faith in the Universe and that I’m practically an orphan of divine protection which leaves pretty much alone and struggling not to lose all the hope. Jose Saramago, a remarkable portuguese writer, has demonstrated the lack of good will and faith of all gods in his novel Son of Caim, and I agree with him. But don’t take me wrong, I respect religious people and I even envy them with their faith. They have something to hold on to.

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In nature I find the sacred, the divine. It’s my sanctuary.  It gives me a priceless peace of mind and fulfilled heart.

 

I asked my psi many times to help me understand what job can I handle with my limitations. The answers were from silence, to “I can’t help you with that”, to “write articles for environmental magazines” (a little better), to “what about that photographic project with horses you told me about”. I said that that’s a hobby not something with purpose..besides, I’m alone most of the time so I need something to engage with people or I’m going crazy. Other persons, friends, suggested me to put my on business, but how am I going to do that when I feel so tired all the time?

Anyway, this post was not suppose to be about work but about me freaking out with the things I can’t do here at my house. The tasks are things like: painting doors and windows, painting outside walls, painting the main door, working on my photographies, printing some photographies, etc. When I’m away I think of so many things I want to do and even feel content about it. When I’m here it’s so hard to get anything done. For any task I think of doing it’s all very complicated and huge, or it’s worthless, or I think I won’t be able to finish it, or I feel tired, or I feel anxious and blocked, or it’s a fog in the brain that comes up, or there something stoping me and I just don’t do it. It seams that I have someone inside that permanently seeks self-sabotaging and self-destruction. Can this be?

Is there any more people feeling like this ? How do you manage it? How do you handle the obstacles and finish the task? Does any one have improved over time?

 

 

 

 

 

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Projectos 1.0

Hoje decidi que vou escrever num canto, seja papel ou digital, sobre os meus projectos, as coisas que quero fazer ou ter. Tendo em contas as circunstâncias do agora – estou na cama da filha de uma amiga, num quarto bem acolhedor cheio de cor de rosa – e que só chego a casa amanhã, começo já aqui. É importante aproveitar a energia desta vontade antes que desvaneça e sucumba.

Então já decidi que quero comprar uma autocaravana, quero melhorar a minha casa e quero ter um barco em Mértola.

Vou ter que explorar mais estas ideias, calcular quanto custam e traçar um plano. Também tenho que as colorir mais, viver mais, imaginar melhor.

Estou a passar o fim-de-semana na Arrábida, na casa da amiga Tolstoi, e está a ser bom. Fizemos um jantar de amigos hoje, vieram cá ter a Narcisa, a Magnólia e estava também o Malvin. Senti-me quase sempre bem. Os cigarros destroe-me, tirar-me a capacidade de interagir. Faço tudo para pôr os outros a falar e faça-o bem. Revelam sem dificuldades ou constrangimentos o que lhes vai na alma. O difícil está em gostar de me ouvir ou em falar sobre os assuntos com fluidez, convicção e vivacidade. Além dos meus assuntos pessoais, pouco partilho das minhas opiniões, acho que me sinto em perigo de me expressar frontalmente, tenho pavor que me dê um bloqueio depois de expressar a minha opinião caso o meu interlocutor não concorde ou até esteja frontalmente em desacordo. É estranho.

Hoje a Jacarta só me mandou uma breve fotografia por mensagem e nada mais. Eu respondi passadas algumas horas e não comunicàmos mais durante o dia todo. Passou-me o stress de não comunicarmos e estive quase sempre calma e tranquila. Só ontem é que tive medo que o seu silêncio quisesse dizer que não me quer na sua vida. Hoje estive quase sempre serena e com a certeza de que estamos relativamente juntas.

Mas não é sobre isto este post, aqui é sobre os projectos de futuros embora escritos não parecem tão excitantes e entusiasmantes como quando os imaginei. Parecem banais até. Na verdade, sem pessoas os meus projectos ficam desinteressantes e o pior é que é sem pessoa até. Sendo que há 6 anos que não encontro um pessoa dessas. Minto, há Jacarta e Canadá.

Á espera dela..s

O banho fez-me bem. O dia foi passado em casa, a ler, a fumar cigarros, a comer mal,  a pensar no que queria e não conseguia fazer e, sobretudo, a pensar nela. Nela, Jacarta, um estranho amor da minha vida.

Dominaram-me sentimentos de abandono e falta de cuidado e o dilema era saber se estas emoções eram válidas. Decidi não ligar por vários motivos. 1. Para provar que me consigo controlar. 2. Porque não encontrar o conforto emocional que precisava do outro lado, iria fazer-me sofrer e possivelmente irritar. 3. Para não parecer nem ser fraca e desesperada. Consegui perfeitamente, apesar de ter olhado muitas vezes para o telefone.

Á tarde recebi a mensagem da Ruanda a dizer-me que me vinha ver. Sentimento misto de desinteresse e contentamento pela visita. O jantar foi esquisito, marcado pela minha  irritação com quase tudo o que era dito e a falta de assunto. Viemos para casa, vimos um filme e dormimos o menos juntas possível. Não consegui dar nem um abraço. Hoje de manhã levantou-se e veio-me dizer à cama que se ia embora, que era melhor, que eu queria estar sozinha e que ela não conseguia. Tinha a tristeza a saltar-lhes pelos olhos e uma vontade terrível de me abraçar. Ainda assim não me foi possível confortá-la nem com palavras nem com gestos. Disse-lhe apenas, “tu é que sabes”, “como achares melhor”, palavras covardes de quem não consegue assumir o que não sente. O pavor do abandono e da solidão quando a vi sair pela rua fora visitou-me mas não me inundou desta vez, o alívio por não ter que viver esta mentira, foi mais forte. Tinha planos traçados para este dia, juntas iríamos lavar o pátio, ao supermercado, etc., quando fiquei sozinha foram-se embora as forças, o ânimo e a vontade para qualquer destas tarefas ou outras. Saí de casa para comprar pão e tomar café e não sei como hei de transformar este vazio.

Entretanto ligou-me a Jacarta e passaram-se horas ao telefone. Já fui ao centro e vim, a pé, e estou exausta, não pela caminhada mas pelas longas horas de conversa. Estou cansada, estafada e exausta. Nem sei porque deixo isto acontecer. O meu dia hoje foi controlado por Jacarta.

Finalmente estou em casa e vou aproveitar para descansar e repor energias. Tenho um jantar para me servir, roupa para pôr a lavar e um ser para recentrar – eu. As minha fracas rotinas são importantes para mim e estou a permitir que vá tudo por água abaixo. Sinto-me fraca. Sei que ela me vai ligar novamente mas vou ter que assumir já que ou não atendo ou atendo e consigo pôr termo à conversa. É este vazio que procuro ansiosamente aniquilar e tenho a ilusão de que a solução está do outro lado da linha, na vida de alguém com substância e que agora precisa de mim. Diz que me ama, que sou o amor da sua vida, e isto faz-me sentir sem nada para dar, vazia e desinteressante, sem forças para propor o que seja e muito menos para o executar. Tenho que me recompor e não sei como enfrentar o cansaço que me limita.

 

 

De onde vem a solidão?

Hoje vim para Lisboa. Acordei às 10 da manhã – alvorada!, ainda na cama, enviei mensagens, fiz telefonemas, falei com amigos no messenger e deixei programas alinhavados para três dias em Lisboa.

Levantei-me pouco depois das 11h, comi à pressa, comecei a preparar a mala e saí para ir à cidade. Ir ao café da mercearia do largo tornou-se o meu novo hábito. Gosto de ver a gente diferente que ali passa, na sua maioria são turistas, gosto do espaço arranjado com esmero e gosto, dá-me a sensação de urbanidade que tão desesperadamente preciso. A minha casa causa-me depressão, o meu bairro causa-me depressão, ir ao mesmo pequeno e pouco interessante café deixa-me deprimida, a rotina mata-me, acaba-me com a esperança, a criatividade, esgota-me a pouca energia, na província as lentes mostram-me uma vida sem propósito nem saída. Sinto-me impotente e encurralada, sem forma de dar a volta ao ciclo vicioso da escuridão. Quando venho a Lisboa parece que tudo ganha um brilho, que é possível, que a vida é boa, que gosto de estar viva, penso nas coisas que poderia e que quero fazer.

Hoje vi o filme ‘Marte’ sobre um astronauta que fica preso em Marte e consegue, sozinho, sobreviver cerca de três anos naquele ambiente inóspito e sem nada para fazer a não ser conseguir manter-se vivo. Encarrega-se de plantar comida, de manter a rotina e a disciplina, ouvir música, dizer piadas, manter-se firme no seu propósito de viver e de dar um sentido aos seus dias e ao seu tempo, apesar de estar isolado, sem contacto com ninguém e com poucas chances de vir a ser resgatado. Fez-me pensar que também eu poderia encarar a minha vida com o mesmo espírito e que poderia desenvolver projectos e executar tarefas com a mesma energia, satisfação e empenho que este homem perdido a milhões de quilómetros de distância do planeta. Estou tão mais perto de casa e acompanhada do que este homem e, no entanto, sinto-me profundamente só e desamparada no meu dia a dia. O sentimento é de nada vale a pena. Como poderei fazer para levar a energia que sinto aqui para a minha cidade? Como evitar cair no buraco medonho e vazio da solidão e do sentimento de vida vã? O que aqui me parece viável, útil e entusiasmante, lá não tem nenhum sentido, não vale a pena nem é exequível com os meus níveis de energia e capacidade de execução. No entanto, nestes dias que estive na minha quinta rocei uma grande quantidade de mato, arranquei malvas à mão, senti-me útil, com energia e orgulhosa do bom trabalho executado. Por isso, sei que consigo. Mas não estava só, o que faz toda a diferença. Quando não estou só,  as coisas valem a pena e o mundo ganha cor.  Quando estou sozinha nada vale a pena, nada parece possível, nada apetece, a vida é uma tristeza sem fim. E há tantas coisas que gostava de fazer mas só em pensamento, em teoria, quando estou acompanhada ou venho a Lisboa banhar-me com a diversidade da multidão. Aqui, mesmo quando estou sozinha, sinto-me bem. Aqui não faz mal andar a passear sem ninguém. Aliás, é como se passeasse pelo mundo, como se também eu tivesse vida, protegida pelo anonimato e pela quantidade de pessoas que estão também sem ninguém. Lá, estar sozinha significa não ter ninguém, não é uma escolha, é uma imposição por não fazer-nos parte da vida de ninguém. Aqui estou sozinha porque quero, podia não estar. Tenho tanta gente a quem telefonar que ficaria contente com o meu contacto e a minha companhia.  Só estou só porque quero. Mas não faz mal porque tenho os meus interesses, porque sou também uma pessoa que gosta de estar consigo mesma. Lá, sou ninguém.

Afinal o que é a solidão? Realidade ou percepção?