The hangover

I’m a mess today. Monday night was a nightmare, a horror movie, a torment. I was convinced that Jakarta didn’t call me over the weekend because she got involved with one of the girls that she was with. Imagining this brought to the surface the fear of abandonment and the pain that I felt 6 years ago when she got married with a girl putting our relationship abruptly to an end. I was devastated and it took me more than one year to put myself together again. Monday was the night of hell revisited. During that long hours I though to myself that I wouldn’t make it, I couldn’t handle going through  this again. In the morning I talked to her and find out that she had been sick Sunday and Monday. This calm me down but I could not get rid of the bad impression from by body and I knew that it didn’t happen but that it could happen. I couldn’t take the risk, the price is to high, I don’t won’t to pay for it. So I was in a hurry to finish everything with Jacarta and get rid of the anxiety associated with her not caring enough for me.  I know that I can’t talk with her about this kind of thing because she will feel that I was trying to make her feel guilty which she can’t stand. She responds to this aggressively, with violence and she says the most horrible things and hurtful things. But that’s what I did, I didn’t think right. I told her that I was said because she didn’t called, that I expect from her another thing specially after being there for her in a critical moment. Also, I said that we should have thought better before we got involved, and that was it, an explosion of anger and violence.  She treat me bad, she was mean. Well after the phone call was over I felt relieved and I thought I can’t do this to myself, I can’t tolerate this, I am done with Jacarta from today. And a sense of peace invaded my head, soul and body. Today this is changed, I miss her, it seams like my life is poor and uninteresting without her. I whish that she calls and I’m thinking about what should I say if I call her. How can this be! How can I want someone that hurts me so bad. Who in me still thinks of Jacarta with love despite her telling me to go fuck myself, I don’t want to ear from you again, I don’t care. Even though she knows that this is the worst thing in the world she can tell me. It just rips me apart. I have an irrational reaction as my life is at risk. I guess it’s a panic attack. It hurt so much you don’t want to know.

There are many good and amazing things about Jacarta. She brings emotion, dignity, colour, joy, pleasure, aventure, warm, to my/any life. She is very tempting and seductive but she is a dangerous and powerful person that can brings someone/anyone down. When I talk about her a friend of mine, Canada, says I’m describing a drug.

Yesterday, I promised myself that I’d would be myself a little more Jacarta and that I’d cultivate my personal interests so I don’t need her or anyone to fill the emptiness.

I’ll be writing about my interests here and write a manifests of intentions about life. I’ve started already in the post Projectos 1.0 and I will develop it furthermore.

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O Fim do Dia

Estou muito cansada. Talvez tenha sido do cigarro que fumei, fico com a cabeça atabalhoada, vejo tudo mais negro e perco a esperança. Não gostei do telefonema com Jacarta, não me senti amada, querida, cuidada. Rimos muito no meio da conversa e isso foi bom mas muitas vezes pareceram-me coisas forçadas. Esta mulher traz-me cor à vida, sem dúvida que tudo fica mais interessante mas não me sinto especial e não sei porquê. Hoje à tarde disse-me coisas lindas, como eu era um ser humano excepcional, como se sentiu amada e vista por mim como por mais ninguém, como sabia que me iria amar para sempre e, ainda assim, não me sinto segura e protegida por ela.

Também falei com Canadá que me disse  que tinha adorado as nossas férias, que se tinha sentido muito bem, que tinha adorado a praia, a música, os cozinhados, os pequenos almoços, as conversas, os filmes, o sol, tudo. Que estava espantada por ainda transportar a leveza e o ânimo que trouxe desses dias. Estará apaixonada? Surgiu uma nova dinâmica entre nós nestas férias, demos a mão, trocámos afectos e carinhos, mas nunca nos beijamos. Vontade não me faltou mas faltou-me coragem. Somos amigas há tantos anos e é uma amizade de que eu não quero prescindir.  Se não dá certo como fica a nossa relação? E tenho medo que não possa expressar toda ou nem grande parte da minha necessidade emocional com ela por ser uma pessoal essencialmente racional e com uma grande necessidade de espaço. Mas sei que se ela der o passo eu não hesitarei.

A minha vida está uma confusão. Jogo em todas as frentes na esperança de alguma coisa da certo ou que a soma de todas as partes ser algo de suportável.

Quarta-feira.

De onde vem a solidão?

Hoje vim para Lisboa. Acordei às 10 da manhã – alvorada!, ainda na cama, enviei mensagens, fiz telefonemas, falei com amigos no messenger e deixei programas alinhavados para três dias em Lisboa.

Levantei-me pouco depois das 11h, comi à pressa, comecei a preparar a mala e saí para ir à cidade. Ir ao café da mercearia do largo tornou-se o meu novo hábito. Gosto de ver a gente diferente que ali passa, na sua maioria são turistas, gosto do espaço arranjado com esmero e gosto, dá-me a sensação de urbanidade que tão desesperadamente preciso. A minha casa causa-me depressão, o meu bairro causa-me depressão, ir ao mesmo pequeno e pouco interessante café deixa-me deprimida, a rotina mata-me, acaba-me com a esperança, a criatividade, esgota-me a pouca energia, na província as lentes mostram-me uma vida sem propósito nem saída. Sinto-me impotente e encurralada, sem forma de dar a volta ao ciclo vicioso da escuridão. Quando venho a Lisboa parece que tudo ganha um brilho, que é possível, que a vida é boa, que gosto de estar viva, penso nas coisas que poderia e que quero fazer.

Hoje vi o filme ‘Marte’ sobre um astronauta que fica preso em Marte e consegue, sozinho, sobreviver cerca de três anos naquele ambiente inóspito e sem nada para fazer a não ser conseguir manter-se vivo. Encarrega-se de plantar comida, de manter a rotina e a disciplina, ouvir música, dizer piadas, manter-se firme no seu propósito de viver e de dar um sentido aos seus dias e ao seu tempo, apesar de estar isolado, sem contacto com ninguém e com poucas chances de vir a ser resgatado. Fez-me pensar que também eu poderia encarar a minha vida com o mesmo espírito e que poderia desenvolver projectos e executar tarefas com a mesma energia, satisfação e empenho que este homem perdido a milhões de quilómetros de distância do planeta. Estou tão mais perto de casa e acompanhada do que este homem e, no entanto, sinto-me profundamente só e desamparada no meu dia a dia. O sentimento é de nada vale a pena. Como poderei fazer para levar a energia que sinto aqui para a minha cidade? Como evitar cair no buraco medonho e vazio da solidão e do sentimento de vida vã? O que aqui me parece viável, útil e entusiasmante, lá não tem nenhum sentido, não vale a pena nem é exequível com os meus níveis de energia e capacidade de execução. No entanto, nestes dias que estive na minha quinta rocei uma grande quantidade de mato, arranquei malvas à mão, senti-me útil, com energia e orgulhosa do bom trabalho executado. Por isso, sei que consigo. Mas não estava só, o que faz toda a diferença. Quando não estou só,  as coisas valem a pena e o mundo ganha cor.  Quando estou sozinha nada vale a pena, nada parece possível, nada apetece, a vida é uma tristeza sem fim. E há tantas coisas que gostava de fazer mas só em pensamento, em teoria, quando estou acompanhada ou venho a Lisboa banhar-me com a diversidade da multidão. Aqui, mesmo quando estou sozinha, sinto-me bem. Aqui não faz mal andar a passear sem ninguém. Aliás, é como se passeasse pelo mundo, como se também eu tivesse vida, protegida pelo anonimato e pela quantidade de pessoas que estão também sem ninguém. Lá, estar sozinha significa não ter ninguém, não é uma escolha, é uma imposição por não fazer-nos parte da vida de ninguém. Aqui estou sozinha porque quero, podia não estar. Tenho tanta gente a quem telefonar que ficaria contente com o meu contacto e a minha companhia.  Só estou só porque quero. Mas não faz mal porque tenho os meus interesses, porque sou também uma pessoa que gosta de estar consigo mesma. Lá, sou ninguém.

Afinal o que é a solidão? Realidade ou percepção?